quinta-feira, 23 de novembro de 2017

redes sociais

"Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer.."




Lembrei-me desta 'velha' canção da Maria Guinot, no festival da canção, de 1984, para compreender como estamos sós.
Podemos estar no meio da multidão e estar em completa solidão.
Pois, então, porque estou aqui, entre vós?
Um acaso, ou talvez não
Uma forma de comunicação!

Inventaram palavras para preencher o vazio das nossas vidas.
E elas, palavras, andam por aí, dispersas, fragmentos de sentimentos ou simples olás de momentos. Tudo guardado em servidores, disponíveis, sem rostos, sorrisos, alegrias ou dores.
São assim as redes ditas sociais.
Quem me dera poder trocar tudo isto por um olhar, num jogo de sueca, como bem lembrava um amigo meu: - só não jogo porque não há parceiros!

É esta a razão de não gostar de redes sociais.

Por outro lado, sirvo-me destas novas formas de ocupar o tempo para, do tempo fazer meu aliado:
fixar emoções.

Quando as mensagens, poemas ou não, voam por aí, uns poisam em alguns jardins, outros perdem-se na alta-atmosfera (?) ou, simplesmente, na blogosfera. (que nome estranho para solidão).

 Eu não me posso queixar: escrevo e vou lançando ao ar. São poucos os que me lêem, mas são os melhores.

E por aqui fico...

Um abraço (a não sei quem).

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

a escola primária


antiga escola primária de Midões _ fotos Net


as gavetas estão cheias de coisas inúteis
e as estantes quase não teem espaço
para mais um livro
ou o pó do esquecimento.
rodeamo-nos de ilusões e alheamo-nos das paixões
mas, entre tanta 'tralha', há objectos
a ligarem-nos ao tempo, alimentando a memória, já por si tão pouco arrumada.
entre os passos perdidos dos dedos,
lá vou prescutando o passado, tão longínquo, que mais parece a mim não pertencer.
é aí que encontro uma velha foto da escola do meu pai.
Midões ardeu nos incêndios florestais de outubro passado, e a escola também.
foi um pouco da minha vida que foi apagada. veremos se a reconstrução poderá fazer esquecer que aconteceu...
neste tempo de mudança e caos,
preciso desta memória.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

novo mundo



É quase nada - é quase estrada
estas memórias - estas estórias
tantas guardadas - poucas contadas
e emoções - os sentimentos - e as razões
e tudo acaba - e tudo morre - tudo desaba.

Para quando a transferência dessas memórias?


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

a fruta inacessível

pequenos nadas abrem os olhos
na observação distraída da vida.

a luta constante pela sobrevivência

decorre no mais ínfimo dos seres.

sobre meio melão, cortado e protegido por celofane, e sem saberem da qualidade e quantidade do açúcar nele contido, correm os mosquitos por toda a superfície, na procura incessante de penetrarem o obstáculo.


a frustração é patente, na incessante

correria e troca de impressões que vão comunicando entre eles.

não desistem de fazer face a esta fronteira translúcida e também não compreendem tais matérias artificiais, fabricadas pelos humanos.


num tempo ainda não longínquo, era tudo bem mais simples: pelo radar que os insectos são possuidores, procurava-se a fruta madura e era um banquete.


infelizmente, a compaixão não me levou a rasgar a película...



sábado, 23 de setembro de 2017

abraços

abraço-te 
peitos encostados
corpos alinhados
e opostos corações.

entre margens e 
verticais cachoeiras
correm-nos nas veias
águas do nosso amor.

e nos teus olhos desenlaçados 
aos tormentos
fechados
adivinho um voo intemporal.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

quadras soltas (1)

a seara está madura
como a noiva no altar
mas a vida é tão dura
que já não quero casar.

malha-se o milho na eira
e canta-se ao debulhar
há moças a tecer teias
enquanto olham o par.

ouvir não custa nada
e não é preciso pagar
mas a pessoa calada
aprende mais que falar.

bebe-se um copo de três
para começar a manhã
mas à tarde é vê-los à vez
a precisarem dum divã.

já não tenho namorada
desde que a fiz calar
estava toda assanhada
por ver outra no lugar.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

a vida real

a ficção
é sempre uma má cópia da realidade
e é irrelevante
pois, quanto mais gosto dela, menos a percebo.